sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Minha boca bebia vinho.

Minhas mãos seguravam uma garrafa de vinho tinto. Uma garrafa escura, de vinho tinto. Outras duas mãos seguravam o meu cigarro e outro cigarro, acessos. A fumaça se espalhava pelo quarto fechado. O cigarro parava em minha boca. A garrafa parava em minha boca. Minha boca parava em outros cantos. A fumaça abafava o quarto, abafava os sons. A fumaça abafava o quarto e eu embaçava as janelas do mesmo, eu embaçava a garrafa escura de vinho tinto. Molhavam-se os lençóis de suor. As roupas não. Não havia roupas. E o que pensaria ela? Ela que nem estava lá. Mas quem estava lá? Minha mente era o quarto abafado. Era isso. Ninguém ligou para o fato desse dia ser um dia aparentemente especial. Ninguém queria saber. Ninguém se resumia a nós. O vinho estava a nos embriagar. Eu estava a me embriagar. O cigarro tentava acertar os meus lábios, meus pulmões. Meus exaustos pulmões. Acertar-nos é o único que conseguíamos. Sem garrafa, sem cigarros. Estes já estavam num canto, eu noutro. Minha boca já não mais bebia vinho. Minhas mãos já não mais seguravam a garrafa de vinho tinto. A garrafa escura, de vinho tinto. Por um breve momento, parei e olhei ao meu redor. O amor é um submarino à vapor, pensei.

Um comentário:

Cátia Margarida disse...

Minha mente era o quarto abafado. Era isso. Ninguém ligou para o fato desse dia ser um dia aparentemente especial. Ninguém queria saber. Ninguém se resumia a nós.

doeu... que dentro de mim, queria brotar um rio.