sábado, 9 de maio de 2009

Descrevendo tua ausência

Luzes por todos os lugares. Luzes que me cegam a tal ponto de não conseguir mais enxergar a tua sombra. Estás distante. Distante como a minha terra, longe daqui, eu longe dela, longe de ti. Deixo que mãos me guiem. Mas não há mãos suficientes para me levarem às tuas. Luzes fortes, entre elas tua ausência. Minhas mãos já estão doendo, entre elas tua ausência. Tua ausência, tua ausência, tua ausência. Luzes de natal. Presente. Ausência presente. Eis ela, não tu. As luzes também. Mas são estas luzes que escurecem. Veja bem. Sei que está tarde e quanto mais tarde é mais cedo. Compreende. Entre as luzes, a música, alta, elevando-me. I’m getting high, but this make me feel low. I can’t find you there, I’m getting sic, but I’m fine, I guess. Nem todas as luzes, nem o lugar mais alto. Muito menos a escuridão e meu ponto de partida. Nada disso. Estás no centro, no ponto intermédio. Dá-me as coordenadas. Diz-me se é o teu umbigo. Mostra-me. Os meios, teus seios. Guarda tuas meias e roupas para vestir depois. Desliga as luzes que me cegam, abaixa o som que me eleva, tira-me daqui, leva-me para onde estás, onde quer que estejas. Leva-me para mim e permanece dentro de mim. Grita para que eu possa te sentir não mais distante. Dá-me a tua presença e a certeza. Enquanto neste exato momento, estou pisando em cacos de vidro que refletem ainda mais as luzes da tua ausência. Meus pés não sangram tanto quanto meus olhos. Agora, mais do que nunca, preciso de mãos. As luzes começam a queimar, não a elas. A temperatura do meu corpo sobe e não consigo fazê-la parar. Continuas ausente. Como pode ela ser tão presente? A tua ausência. Faz festa. A tua ausência. Toca. A tua ausência. Eu quero. Tocar. A tua. Presença. Eu não quero festas. A música diz “'Cause if you're not really here, then I don't want to be either, I want be next to you”. Pensei que seria o fim,

mas a música continuou.

7 comentários:

Mara faturi disse...

Obrigada pela visita,
aff, e não é que meu poema de "mãos e ausências" casa perfeito com esse teu "D.escrevendo"...coisa interessante;)
bjo

beth disse...

É as festas,as mãos e a aunsencia.(:

beth disse...

Já leu as ultimas palavras do osho?
Lembrei de ti.

Click disse...

Mas isso é uma coisa, senhorita nevermind! Belíssimo poema! Belíssima descoberta!

Larissa disse...

A ausência nos faz chorar lágrimas de sangue. Isso dói.
Ótimo o teu poema...

Mara faturi disse...

oi moça,
sua poesia anda distante...Por onde andas? vontade de te ler mais;)
bjos

Mayara La-Rocque. disse...

E a ausência dança. É a ausência que dança também.