sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Corpo, pensamento, pé.

Agora, faria qualquer coisa. De mim, faria qualquer coisa. Qualquer coisa me vem à cabeça, qualquer cabeça e da cabeça para baixo. Pescoço, ombros, peito, seios, barriga, quadril, coxas, panturrilhas, tornozelos, pés. Vou, da cabeça aos pés. De cabeça para baixo. De qualquer forma. Faria de mim, de qualquer forma. De qualquer forma, faria qualquer coisa. De mim. Sinto devagar, como meus pensamentos, com uma colher, em uma cadeira. Sinto devagar, como meus pensamos, sobre uma colher, em uma cadeira. Sento devagar, como meus pensamentos, com uma colher, em uma cadeira. Sento devagar, como meus pensamentos, sobre uma colher, em uma cadeira. Caio da cadeira. De cabeça para baixo. Caem do prato. Meus pensamentos. Da cabeça aos pés. Caem do prato, os pés. Como uma colher, resgato da água da sopa meus próprios pés. Agradeço por não ser como um garfo. Como uma faca. Corta minha garganta. Sangra, mas não vejo. Nadam meus olhos. Não vêem nada. Não olham de baixo d’água. Corta meu esôfago, já tão debilitado por causa do cigarro. Corta fácil. Como gaze. Para fazer assepsia. Bebo álcool e não sinto mais. Qualquer coisa, já nem sinto mais. Fiz de mim. Qualquer coisa. Mas nem senti. Da cabeça aos pés. Da cabeça para baixo. Para cima. Pés, tornozelos, panturrilhas, coxas, quadril, barriga, seios, peito, ombros, pescoço. Fui dos pés à cabeça. De cabeça para cima. De qualquer forma. Fiz de mim, de qualquer forma. De qualquer forma, fiz qualquer coisa. De mim.

3 comentários:

Yan disse...

aninha, conhecemo-nos nesta vida?

Tiago Júlio disse...

Tens estilo.

Sei lá o quê tu te tornaste, mas eu sorri daqui. :)

delianne lima disse...

concordo com o Tiago :)
Acho muito cativante teu estilo, é gostoso de ler.